
Foto Divulgação
Jack Johnson tocou de chinelos, bem à vontade, no show de Belo Horizonte
Para o luau de Jack Johnson ficar completo, só faltaram a fogueira e o pé na areia. Mas a brisa suave que soprava na noite de quarta-feira ajudou a montar o clima litorâneo que a música do havaiano evoca. Aproximadamente 12 mil pessoas compareceram à arena montada no estacionamento do Estádio Mané Garrincha para ver o cantor em ação. Um público eclético, com crianças, adolescentes, família e casais, muitos casais.
Antes de Jack subir ao palco, coube a seu amigo G. Love animar as pessoas que chegavam ao show. Munido de violão, gaita e carisma, Garrett Dutton, 38 anos, mostrava composições que passeavam por folk e blues, tudo com uma levada bem pop. Sabendo que não é tão conhecido no Brasil quanto a principal atração da noite, G. Love se esforçou na interação com o público e se saiu bem. O pessoal acabou aprendendo ali, na hora, alguns dos refrões do músico e o acompanhou em vários deles.
Jack Johnson subiu ao palco às 21h08. Quando ele surgiu em cena, a gritaria foi geral. As primeiras músicas apresentadas serviram para mostrar que, além de musical, o show do cantor é também visual. O enorme telão no fundo do palco exibia belas imagens do mar, de pássaros, da natureza e também algumas pinturas. E se no comecinho do show as músicas eram acompanhadas somente pelos mais fãs, foi só Jack executar os primeiros acordes de Taylor para que ele encontrasse a sintonia com o público. O hit foi emendado com outro, Sitting, waiting, wishing.
A opção de Jack em salpicar o set list com músicas famosas se mostrou acertada, pois ajudou a capturar a atenção do público que, nas canções menos conhecidas, dispersava-se. Aliás, acompanhar um show de Jack Johnson é reviver uma lista de canções de sucesso (Upside down, Flake, Breakdown, Banana pancakes, Good people, Times like this…). Mas que nada, de Jorge Ben (em versão bem funky), e I wanna be your boyfriend, dos Ramones, foram os covers da noite.
Público feliz
No meio da multidão, a família Bertioli — o pai, Davi, a mãe, Soraya, e os filhos, George e Sofia — curtia, abraçada, os hits do cantor. A música do Jack Johnson fala de paz, harmonia e meio ambiente. Mesmo sendo um som pop, é muito espiritual e zen, explicou a mãe. George, 11 anos, identifica-se com a canção Upside down, trilha sonora do filme George, o curioso. A trilha me fez gostar mais do Jack Johnson, conta o menino.
O arquivista Cláudio Arrochela, 44 anos, também elogia o que Johnson escreve: As letras dele têm conteúdo, avalia Cláudio, que começou a se interessar pela música do cantor depois de ouvir a canção Better together. O arquivista estava acompanhado da mulher, Sabrina, 39. A servidora pública é cadeirante e o casal acompanhou o show confortavelmente acomodado na área reservada para quem usa cadeira de rodas.
No palco, Jack Johnson foi acompanhado por Adam Topol na bateria, Merlo Podlewski no baixo e Zach Gill no piano e teclados. Todos os três velhos companheiros de show e estúdio. A banda, ainda que competente, é discretíssima — o que só muda em alguns momentos, como, por exemplo, quando Podlewski atacou de rapper.
Johnson se revezava entre a guitarra e o violão. Em alguns momentos, eram só ele e o instrumento em cena. O havaiano tem uma simpatia natural. Quando abria um sorriso, muitas fãs se derretiam. Mas sua interação com a plateia é um tanto tímida, resume-se a umas poucas palavras dirigidas às pessoas (algumas em português). Na última música, o cantor abriu uma bandeira do Brasil. Nem precisava, àquela altura já estava claro o carinho de Jack Johnson pelo país.
http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20110527135815&assunto=169&onde=Viver
Tags: Música Jorge Benjor Jack Johnson
Deixe o seu comentário sobre a notícia acima. Seu e-mail não será divulgado. Não utilize palavras de baixo calão.
